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Carlos Moisés (PSL): de ilustre desconhecido a governador de SC

enviado por Web Rádios em 29/10/2018 14:33

Carlos Moisés (PSL): de ilustre desconhecido a governador de SC

Passava das 19h quando o automóvel entrou pela garagem do prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no Centro de Florianópolis. Nele, estava Carlos Moisés da Silva. A apuração ainda não havia sido completada, mas o governador do Estado já estava eleito. Somente com o resultado final, com 71,09% de votos, o comandante saiu das trincheiras para aparecer triunfante. Afinal, a partir de 1º de janeiro o ex-bombeiro militar é o comandante de SC.

A saúde fragilizada foi o motivo que levou Moisés para as trincheiras do PSL desde quinta-feira. Nelas se movimentou e só saiu quando sua presença era indispensável: votar e falar como novo governador do Estado. Deixou compromissos em Blumenau e Florianópolis na reta final da campanha. Assim como não se fez presente no último debate ao Governo do Estado, na NSC TV. A reclusão foi estratégia. Com atestado médico de infecção nas vias aéreas superiores, não encarou o adversário Gelson Merisio (PSD). Tampouco precisou por em risco a confortável vantagem da preferência do eleitor que as pesquisas eleitorais mostraram para o segundo turno.

– É aqui que o Comandante Moisés vai votar? – era a pergunta frequente na manhã do domingo na entrada do Colégio São José, área central de Tubarão.

A indagação precedeu a primeira aparição desde o diagnóstico do problema de saúde. Tossiu duas vezes ao ir do carro até a urna, foi saudado pelos eleitores presentes e seguiu para a sessão confirmar 17 duas vezes. Na saída da sala atendeu com vigor aos jornalistas e aos pedidos para fotografias. Porém, foi aconselhado por assessores a deixar o Colégio São José e voltar à trincheira, agora na Capital.

Assessores informaram que estaria ao lado da esposa, Késia, e das filhas Raíssa e Sarah. No apartamento no bairro Itacorubi, vizinhos presumiram a presença. No entanto, Moisés estava com correligionários no centro de Florianópolis. Quando as urnas confirmaram a eleição, foi ao TRE, a poucas quadras. Nele, passou pelo último obstáculo. Esperou a totalidade da apuração e deu um pronunciamento de cerca de cinco minutos, na maior parte do tempo para agradecer companheiros de partido e os eleitores.

A reclusão, justificada pela inflamação na garganta, contrasta com o perfil de homem de fácil acesso que o marcou no comando do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil no Sul de SC. Nada mais que uma estratégia de campanha, inerente à política, um mundo novo para Moisés. Quem esteve próximo nas reuniões para discutir prevenção e problemas da comunidade não conseguia enxergar nele o desejo de entrar para a política.

A filiação foi recente. No início do ano, Moisés aderiu ao PSL para ajudar. Seria tesoureiro, mas o partido pediu para que representasse no pleito ao Estado. Convite aceito, foi a surpresa do primeiro turno. Atônito, não acreditava ter ganhado mais de um milhão de votos no dia 7 deste mês. Já no segundo turno foram 2,6 milhões: a maior votação da história do Estado.

– Saímos praticamente do anonimato, de uma campanha de alguém que não tinha expressão e conhecimento estadual, e contra muitas correntes. Isso mostra que as eleições mudaram, o povo mudou e a forma de ver política terá de mudar – falou no pronunciamento único à imprensa, sem dar margem para perguntas.

O próximo passo é encontrar o governado Eduardo Pinho Moreira para iniciar a transição. A partir de agora não terá mais trincheira para se movimentar. O comandante é linha de frente na gestão de Santa Catarina.

Fonte: Diário Catarinense / Foto: Dirogenes Pandini / Diário Catarinense

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